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Pisa 2025: 67% dos alunos mais pobres no Brasil não atingem nível mínimo de leitura
Principais pontos
- 67% dos estudantes brasileiros entre os 25% mais pobres ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência em leitura no Pisa 2025.
- Entre os 25% mais ricos, 26% não alcançaram esse patamar, uma diferença de 41 pontos percentuais.
- Brasil teve 408 pontos em leitura e ficou na 52ª posição entre 89 países, segundo os resultados da avaliação.

A desigualdade socioeconômica no desempenho em leitura é um dos principais desafios revelados pelo Pisa 2025 no Brasil. Uma análise do Iede (Instituto de Evidência Educativa), feita a partir dos dados da avaliação internacional, mostra que 67% dos estudantes brasileiros de menor nível socioeconômico não atingiram o nível mínimo de proficiência em leitura. Entre os alunos mais favorecidos economicamente, o percentual foi de 26%.
Os números consideram os 25% dos estudantes em pior situação socioeconômica e os 25% em melhor situação. Segundo o estudo, a proporção de alunos abaixo do nível mínimo entre os mais pobres é 2,5 vezes maior do que entre os mais ricos.
A diferença também aparece na pontuação média. Os estudantes do grupo de menor nível socioeconômico obtiveram 375 pontos, enquanto os mais favorecidos alcançaram 462 pontos — uma distância de 93 pontos. Em 2022, a diferença havia sido de 88 pontos.
Brasil tem desempenho abaixo da média da OCDE
No resultado geral, o Brasil registrou 408 pontos em leitura no Pisa 2025, ficando na 52ª posição entre 89 países e economias com dados comparáveis. A pontuação foi dois pontos inferior à de 2022, quando o país alcançou 410 pontos, mas a variação não foi considerada estatisticamente significativa pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
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A média dos países da OCDE foi de 461 pontos, 53 pontos acima do resultado brasileiro. Cerca de 49% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, considerado o patamar mínimo na avaliação. Na média da OCDE, esse percentual foi de 69%.
O nível 2 envolve habilidades como identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada, localizar informações a partir de critérios explícitos e refletir sobre o propósito e a forma de um texto quando há orientação para isso.
Desigualdade aumentou em relação a 2022
Embora a média brasileira tenha permanecido praticamente estável, a distância entre estudantes de diferentes níveis socioeconômicos aumentou. De acordo com a análise, a diferença entre os grupos passou de 88 para 93 pontos entre 2022 e 2025.
A situação brasileira também se insere em um cenário de dificuldades para a leitura em outros países da América Latina e do Caribe. Segundo Romina Durán, chefe de pesquisa do Iede, em 10 dos 13 países da região que participaram do Pisa 2025, pelo menos metade dos estudantes de 15 anos ficou abaixo do nível 2.
Países asiáticos lideram desempenho
O ranking de leitura do Pisa 2025 foi liderado por Singapura, com 535 pontos. Na sequência aparecem o grupo formado por Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, na China, com 527 pontos; Taiwan, com 508; Japão, com 503; e Macau e Coreia do Sul, ambos com 501 pontos.
No Brasil, apenas 1% dos estudantes atingiu o nível 5 ou superior em leitura, enquanto a média da OCDE foi de 6%. Nesse nível, os alunos são capazes, entre outras habilidades, de compreender textos longos, lidar com conceitos abstratos e estabelecer distinções entre fato e opinião a partir de informações implícitas.
O Pisa é aplicado pela OCDE a estudantes de 15 anos e avalia a capacidade de utilizar conhecimentos e habilidades em situações do cotidiano. No Brasil, a edição de 2025 contou com 30.140 estudantes, e as provas foram aplicadas entre abril e maio daquele ano.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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