Roupas mais baratas? Estudo mostra a disputa de preços entre Shein e outras redes
Principais pontos
- Relatório do BTG Pactual analisa 72,2 mil produtos de 11 categorias e revela como os preços de Shein, C&A, Renner e Riachuelo mudaram de junho a agosto.
- As maiores quedas de preços no período foram de Shein e Riachuelo, de 19,5% e 18%, respectivamente; na Renner, a redução foi de 4%, enquanto a C&A registrou alta de 6%.
- A disputa ocorre às vésperas do IPO da Shein em Hong Kong, previsto para 1º de setembro; a operação deve levantar cerca de US$ 1,7 bilhão e avaliar a empresa em US$ 26,5 bilhões.

Promoções de roupa estão chamando atenção nos últimos meses. São descontos oferecidos tanto por grandes redes brasileiras quanto por plataformas internacionais, movimentando o mercado no qual a chamada “taxa das blusinhas” (imposto sobre compras internacionais de até US$ 50) impacta as condições de competição.
Um relatório do BTG Pactual, divulgado nesta semana, ajuda a mostrar como a disputa pelo consumidor vem aparecendo nos preços. O banco acompanhou 72,2 mil produtos de 11 categorias vendidos por Shein, C&A, Renner e Riachuelo entre junho e agosto.
A maior queda de preços ocorreu na Shein: 19,5%. A Riachuelo veio praticamente no mesmo ritmo, com redução de 18%. Na Renner, os preços recuaram 4%. Já a C&A foi na direção contrária e registrou alta de 6%.
Cesta de produtos
Para comparar preços, o BTG usa como indicador uma cesta com as 11 categorias de produtos e analisa os preços medianos. Essa cesta serve como referência para a análise dos valores praticados pelas redes.
RECOMMENDED FOR YOU

Argentina vai investigar empresas por projetos de petróleo próximos às Malvinas
Em agosto, esse indicador ficou em R$ 756 na Shein, R$ 1.266 na Riachuelo, R$ 1.327 na Renner e R$ 1.440 na C&A. Em junho, a cesta da Shein estava em R$ 939 e a média das três brasileiras, em R$ 1.427. Em agosto, essa média recuou para R$ 1.344.
Na comparação feita pelo banco, os preços da Shein ficaram 44% abaixo da média das três redes brasileiras em agosto. Dois meses antes, a diferença era de 34%.
O percentual não significa que qualquer roupa encontrada na Shein custe 44% menos do que uma semelhante nas concorrentes: ele se refere ao conjunto de produtos acompanhado pelo levantamento.
Promoções aumentaram na Shein
Parte do movimento da Shein aparece na própria política de descontos. Em agosto, 86% dos itens acompanhados pelo BTG estavam em promoção, e o desconto mediano era de 35%.
Em junho, 79% estavam em oferta, com desconto mediano de 30%.
A redução também não ficou limitada às tradicionais liquidações de inverno. Segundo o relatório, categorias vendidas durante todo o ano, como jeans, blusas e camisetas, também apresentaram queda de preços.
Segundo os analistas do BTG, as varejistas reconhecem que o ambiente ficou mais competitivo, mas procuram evitar uma guerra de preços. A Renner revisou para baixo suas projeções de crescimento; a C&A aposta em diferenciação e qualidade, tentando preservar suas margens de lucro em vez de simplesmente reduzir preços; e a Riachuelo destaca a produção integrada (com mais controle das etapas de fabricação) e o uso de inteligência de preços, monitorando o mercado para ajustar seus valores com mais precisão.
Taxa das blusinhas mudou novamente
A comparação acontece depois de outra mudança importante para esse mercado. Desde maio, está zerado o Imposto de Importação federal de 20% que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em plataformas participantes do Remessa Conforme.
RECOMMENDED FOR YOU

Dívida bruta do governo alcança 81,9% do PIB em junho
O imposto, criado em 2024 e conhecido como “taxa das blusinhas”, não era o único cobrado nessas compras. O ICMS estadual continua valendo, com alíquota de 17% ou 20%, dependendo do Estado.
Antes da mudança deste ano, portanto, as compras de até US$ 50 pagavam os 20% de Imposto de Importação mais o ICMS; agora, o imposto federal está zerado, mas permanece a tributação estadual.
A retirada do imposto federal foi feita por medida provisória. O texto precisa ser aprovado pelo Congresso até 8 de setembro para não perder validade. Nesta semana, os presidentes da Câmara e do Senado acertaram com o governo acelerar a votação.
A tributação já aparecia nas análises anteriores do BTG sobre a disputa de preços. Em relatório de setembro de 2025, o banco afirmou que a diferença média da Shein em relação às varejistas brasileiras pesquisadas havia caído de cerca de 40% no início de 2024 para aproximadamente 9% em agosto de 2025 e relacionou parte desse movimento às mudanças nos impostos sobre as compras internacionais.
No início do ano, diferença era bem menor
Outro levantamento do BTG, publicado em janeiro de 2026, também ajuda a mostrar como o cenário mudou.
Naquele estudo, menor e com metodologia diferente, foram comparados oito tipos de peças. Os preços da Shein estavam 6% abaixo dos da Riachuelo, 10% abaixo dos da Renner e 13% abaixo dos da C&A.
Os números de janeiro não podem ser colocados em uma linha direta com os de agosto porque os levantamentos têm abrangências diferentes. Mas ajudam a situar o consumidor: no começo do ano, a diferença encontrada pelo BTG entre a empresa chinesa e as três grandes redes brasileiras era muito menor.
Shein se prepara para abrir capital
Essa disputa de preços no mercado brasileiro acontece às vésperas da abertura de capital da Shein.
RECOMMENDED FOR YOU

Congresso derruba taxa das blusinhas: entenda como ficam as compras
A empresa deve estrear na Bolsa de Hong Kong em 1º de setembro. Nesta quinta-feira, 27, fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que a oferta deve ser precificada em 48,56 dólares de Hong Kong por ação, levantando cerca de US$ 1,7 bilhão e avaliando a companhia em aproximadamente US$ 26,5 bilhões.
É uma avaliação muito inferior aos quase US$ 100 bilhões alcançados pela Shein no mercado privado em 2022. A companhia também enfrenta condições mais difíceis em mercados como Estados Unidos e Europa, onde mudanças tributárias e regulatórias atingiram o modelo de importação de produtos de baixo valor.
Em análise recente, o BTG avaliou que esse cenário pode aumentar a importância de mercados emergentes, entre eles o Brasil, para a estratégia da companhia. Ela deve redobrar a aposta em mercados emergentes, como o brasileiro, direcionando mais investimento, marketing e atenção para cá, num momento em que crescer lá fora ficou mais difícil.
Essa aposta não é só sobre trazer produtos mais baratos da China: a empresa vem tentando se reinventar como uma espécie de shopping para vendedores brasileiros, ampliando seu marketplace local. A meta declarada da companhia é que até 85% das vendas no país venham de produtos nacionais ou de comerciantes brasileiros até o fim de 2026 — hoje a plataforma já reúne cerca de 30 mil vendedores por aqui.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
Se está acontecendo no Sul Global, está no nosso canal do WhatsApp.
Nós contamos as notícias que você precisa saber.
Inscreva-se agora