Bancos alertam: com IA, hackers constroem ataques em 5 minutos

Principais pontos

  • Instituições financeiras estão revendo a gestão de vulnerabilidades e apostando em prevenção para responder à maior velocidade e à automação das ameaças digitais.
  • Além de ataques com participação humana, bancos já observam ações totalmente automatizadas e defendem uma combinação de governança e equipes especializadas para proteger a infraestrutura.
  • Bancos também estão preocupados com a engenharia social, conceito da segurança digital que envolve manipular pessoas para obter dados ou induzi-las a fazer pagamentos; imagens e vídeos criados por IA podem tornar esses golpes mais convincentes.
Antes, o hacker levava uma semana para construir um ataque. Hoje, com ajuda da IA, consegue em cinco minutos.
Antes, o hacker levava uma semana para construir um ataque. Hoje, com ajuda da IA, consegue em cinco minutos.
Source: Depositphotos

Nas últimas semanas, agentes de inteligência artificial (IA) da OpenAI e Anthropic que atuavam em ambientes de testes foram capazes de ganhar acesso à internet e realizar ataques cibernéticos sem permissão.

Apesar das manchetes alarmantes, esses ataques foram apenas meios para atingir um fim, uma espécie de “improviso não autorizado” dos agentes para completar tarefas (não criminosas) que receberam.

Mas e quando o objetivo é justamente um ataque cibernético com a intenção de lesar empresas? Bancos brasileiros já começaram a se adaptar a essa nova realidade.

"Antes o cibercriminoso levava uma semana para construir um ataque. Hoje, com ajuda da IA, conseguem fazer em cinco minutos, com informação pronta vinda da internet” explicou Átila Batista Bandeira, gerente-executivo de Cybersecurity do Banco do Brasil, durante a Febraban Tech 2026, evento que acontece em São Paulo até esta quarta-feira, 26.

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Além das ações híbridas, que contam com contribuição humana, os ataques totalmente automatizados vêm se tornando cada vez mais comuns.

Batista explicou que só é possível combater essa nova realidade com modelos de “forte governança” aliados a um time que conheça os pontos críticos da infraestrutura digital.

"Não podemos mais tratar gestão de vulnerabilidade igual antes. Antes podíamos priorizar, hoje precisamos nos antecipar. Meu conselho é: faça primeiro”, ressaltou.

Engenharia social também preocupa

Os ataques à infraestrutura não são as únicas alternativas para fraudar o sistema bancário. Para Leopoldo Soares, gerente de segurança corporativa do Banco do Nordeste, clientes também precisam ser educados para não serem vítimas de engenharia social, que se tornou ainda mais complexa com a ajuda das IAs.

Em segurança digital, engenharia social é o uso de manipulação para convencer uma pessoa a entregar informações, fazer operações financeiras ou realizar alguma ação que favoreça o golpista. Em vez de “hackear” o sistema, o criminoso induz as vítimas a fornecer dados ou fazer pagamentos.

"O banco tem muita dificuldade para convencer o cliente de que não existe uma passagem de ida e volta para a Disney sendo vendida por R$ 600”, explicou.

Os executivos falaram de um caso em que imagens geradas por IA teriam quase convencido um mineiro a gastar R$ 500 em ‘’filhotes de dinossauros’’ (a história correu pelas redes sociais nesta semana). Com modelos de vídeo cada vez mais avançados, surge a necessidade de trabalhar diretamente na educação dos clientes.

“Se não houver uma espécie de educação desses clientes, esse tipo de fraude tende a gerar cada vez mais dificuldade aos bancos. Precisamos conseguir convencer clientes de que eles estão sendo vítimas de golpes”, completou.

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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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