Após batalha na Justiça, colombiana decide morrer por eutanásia

Principais pontos

  • A psicóloga Catalina Giraldo, de 30 anos, morreu após obter na Justiça autorização para a eutanásia, encerrando uma disputa de dez meses em que buscava inicialmente o direito ao suicídio assistido.
  • A Colômbia permite a eutanásia desde 1997 e ampliou o acesso em 2021 para pessoas com doenças graves e incuráveis, mesmo sem estarem em fase terminal. O suicídio assistido foi descriminalizado em 2022, mas ainda aguarda regulamentação.
  • Catalina convivia com depressão grave, ansiedade e transtorno de personalidade borderline, sem resposta aos tratamentos. Diante da falta de regras para o suicídio assistido, aceitou a eutanásia e morreu cercada pela família em uma clínica de Bogotá.
Catalina dá entrevista para o programa Notícias Caracol
Catalina
Source: Reprodução/ YouTube / Noticias Caracol

Uma psicóloga colombiana de 30 anos, Catalina Giraldo, travou uma batalha de dez meses na Justiça do país, com apelações à Corte Constitucional, para dar fim a sua vida. Ela lutava pela assistência médica ao suicídio, procedimento em que a paciente seria a responsável pelo momento da morte e pela administração do meio com que encerraria seus dias – um profissional de saúde apenas lhe forneceria o medicamento. A Corte autorizou a eutanásia, quando um médico aplica o remédio. No dia 9 de julho, Catalina morreu em uma clínica em Bogotá.

Catalina contou ao programa Notícias Caracol, da TV Caracol, que por muito tempo de sua vida sofreu com transtorno depressivo maior grave, transtorno de ansiedade e transtorno de personalidade borderline. Passou por tratamentos sem resultados. Atentou contra a vida. Foi internada diversas vezes. Ela dizia que todos os dias acordava em sofrimento. E, por isso, começou a considerar que a assistência médica ao suicídio seria uma opção para acabar com sua dor.

Esse procedimento foi despenalizado em 2022, mas ainda não está regulado. Já a eutanásia foi permitida no país em 1997, por decisão da Corte Constitucional, que estabeleceu que ninguém poderia ser responsabilizado criminalmente por tirar a vida de um paciente terminal que tivesse dado consentimento claro.

A eutanásia ficou décadas sem regulação prática na Colômbia. Em 2015, o Ministério da Saúde a regulamentou, permitindo que hospitais passassem a realizá-la. Em 2021, a Corte Constitucional retirou a exigência de doença terminal, ampliando o acesso a pessoas com doenças graves e incuráveis, mesmo sem prognóstico de morte iminente. Foi sob essa mudança que, em janeiro de 2022, ocorreu o primeiro caso de eutanásia em paciente não terminal no país.

O suicídio assistido foi descriminalizado em maio de 2022, também por decisão da Corte Constitucional, após ação movida pelo grupo DescLAB. A Colômbia se tornou, com isso, o primeiro país da América Latina a permitir essa prática.

Desde o primeiro momento, a psicóloga se decidiu pela assistência médica ao suicídio porque queria ter autonomia sobre essa decisão. Seu caso foi o primeiro a pleitear esse procedimento. Porém, a espera afetou a saúde mental de Catalina. Sem resposta para seu pedido, em função da falta de regulamentação, resolveu aceitar a eutanásia. A psicóloga foi à clínica acompanhada de sua família. Ela declarou que estava muito tranquila.

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