Como aliados de Ciro encaram a ampla vantagem sobre Elmano no Datafolha

Principais pontos

  • Ex-presidenciável registrou 52% das intenções de voto em levantamento do instituto, contra 33% do atual governador.
  • Políticos próximos a Ciro ouvidos pelo GSW Brasil atribuem vantagem ao desgaste enfrentado pela administração do PT no Ceará.
  • Ex-secretário de Elmano, Chagas Vieira diz que pesquisas internas mostram empate.
Ciro Gomes (PSDB), candidato ao governo do Ceará
Ciro Gomes (PSDB), candidato ao governo do Ceará
Source: Reprodução/Flickr

Aliados do candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) ouvidos pelo GSW Brasil atribuem ao desgaste da atual administração, do governador Elmano de Freitas (PT), a larga vantagem registrada pelo tucano na última pesquisa Datafolha em relação ao petista, que concorre à reeleição.

Na quinta-feira, 13, o instituto de pesquisas mostrou o ex-presidenciável com 52% das intenções de voto, contra 33% do incumbente. O cenário daria vitória a Ciro ainda em primeiro turno e encerraria um ciclo de 16 anos de aliados do presidente Lula (PT) à frente do estado.

Para Ozires Pontes, prefeito de Massapê e principal articulador do retorno do ex-presidenciável ao PSDB -- Ciro já foi governador, pelo partido, entre 1991 e 1994 --, os números refletem a "fadiga" do eleitor com as gestões petistas.

"Elmano sempre me tratou bem institucionalmente, mas o Ceará enfrenta graves problemas na saúde e no combate às facções. Há um desejo de mudança", disse ao GSW Brasil. "Será uma campanha difícil, disputada. Mas acredito que se resolva no primeiro turno".

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O deputado estadual Felipe Mota (União Brasil) afirmou ter se surpreendido com a vantagem de quase 20 pontos neste momento. Para o parlamentar, os números permitem balizar o tom que será adotado durante a campanha.

"Ninguém mais aguenta essa violência, a população quer mudança. O governador trouxe Lula, fez tudo o que podia fazer, inaugurações e não adiantou", acrescentou Claudio Pinho (PSDB), também integrante da Assembeia legislativa.

No último final de semana, Elmano recebeu o presidente para sua convenção partidária, onde ainda foram oficializados os nomes de Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede) para a disputa ao Senado. Considerados estratégicos para uma reação do petista nas pesquisas, os movimentos não surtiram o efeito esperado.

O cálculo de Ciro

Para aliados do tucano e mesmo políticos do campo govenista, a segurança pública é o principal foco de desgaste do atual mandatário. Mesmo com uma redução no número de homicídios, o Ceará enfrenta um cenário de avanço das facções criminosas que tem sido reiteradamente explorado pela oposição.

Soma-se a isso o fato de que, embora ministro no primeiro governo Lula e crítico contumaz do bolsonarismo, o candidato do PSDB é apoiado pelo PL de Flávio Bolsonaro e, com a saída de Eduardo Girão (Novo) do páreo, aglutinou as forças e partidos de oposição -- PP e União Brasil -- ao redor de sua campanha.

O consenso formado no grupo foi de que Ciro tem mais capacidade de desbancar o PT em um reduto do partido do que lideranças tradicionais da direita. Para garantir a aliança, as duas vagas ao Senado da chapa foram cedidas a postulantes que, estes sim, estão no espectro -- Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL). O tucano, no entanto, não deve declarar apoio a Flávio.

Ex-secretário da Casa Civil de Elmano e candidato a suplente de Luizianne, Chagas Vieira (PDT) afirmou em publicação nas redes sociais que as pesquisas internas do grupo apontam empate e que, "com a declaração de apoios [de Lula e do ex-governador Camilo Santana], Elmano atropela".

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