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De subsídios de remédios à cobertura de vacinação, entrevistados avaliam políticas de saúde

Principais pontos

  • Em meio ao reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos, em março, o Farmácia Popular, programa que oferece 41 itens gratuitos, se mantém como importante alternativa de acesso a remédios para o consumidor.
  • A melhora dos índices de vacinação contra o sarampo surpreende parte da população após anos marcados pela queda na cobertura vacinal e pela desinformação.
  • Apesar disso, o Brasil ainda precisa ampliar a cobertura para voltar a atingir a meta de imunização de forma consistente.

Com os preços de medicamentos reajustados em até 3,81% neste primeiro trimestre, conforme resolução do governo federal no fim de março, uma das opções para a população de menor renda é o programa Farmácia Popular, que fornece remédios com subsídios aos brasileiros. Estão disponíveis 41 itens, todos gratuitos e oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o governo, em 2024 o programa alcançou o maior número de beneficiados desde 2006, chegando a 24 milhões de pessoas.

O Global South World Brasil ouviu moradores de Belo Horizonte (MG) para saber o que pensam da política de subsidiar medicamentos. Para a professora de artes Lúcia Madeira, a oferta de remédios é uma das responsabilidades da administração pública. “Se a pessoa não tem condições de comprar, é o governo mesmo que tem de fazer isso”, afirmou.

A advogada Ingred Mattos compartilha da opinião. “O acesso à saúde é importante para todo mundo e nem todos têm condições financeiras de arcar esse acesso; então, isso tem de ser provido pelo estado”, pontuou. Já a técnica em radiologia Marilaine Rodrigues espera que a oferta seja ampliada. “Ainda acho que deveria abranger mais pessoas ou mais medicamentos”, disse.

O Farmácia Popular disponibiliza medicamentos gratuitos para o tratamento de diabetes, asma e hipertensão e de forma subsidiada (copagamento) para dislipidemia, rinite, doença de Parkinson, osteoporose, glaucoma, anticoncepção e fraldas geriátricas. Na modalidade de copagamento, o governo arca com parte do valor dos medicamentos (até 90% do valor de referência tabelado). O cidadão paga o restante, de acordo com o valor praticado por uma das 30 mil farmácias credenciadas, distribuídas em mais de 4.300 cidades em todos os estados brasileiros.

Nesse contexto de atenção à saúde, nos últimos anos o país tem buscado recuperar as metas de imunização preconizadas globalmente. Em 2024, no caso da primeira dose da vacina contra o sarampo – doença que está voltando a crescer no mundo –, o Brasil esteve entre as nações que mais vacinaram as pessoas, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). O índice chegou a 95.83%. Em 2021, a taxa registrada pela organização ficou em 73.46%.

Essa mudança nos resultados de imunização contra o sarampo se tornou motivo de surpresa para as pessoas ouvidas pela reportagem. “O Brasil sempre foi referência em vacinação. E vem um louco (se referindo ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro) e tira isso, esse direito das pessoas”, criticou o técnico de informática Luiz Fernando Leonel.

A advogada Ingred comentou que a campanha anti-vacinação fez com que acreditasse que a taxa de imunização no Brasil continuava em declínio. “Hoje, a gente tem muitos influenciadores, muito acesso à informação e isso nem sempre é tão democrático. As informações erradas chegam da mesma forma que as certas”, comparou.

No entanto, o desafio da retomada permanece. Segundo o Ministério da Saúde, em 2025 a cobertura vacinal no Brasil contra o sarampo ficou em 92,68% para a primeira dose (abaixo da meta de 95%) e 78,04% para a segunda dose.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.