María Corina questiona acordo de petróleo entre Venezuela e EUA

Principais pontos

  • Líder da oposição pede transparência e questiona garantias oferecidas e de que maneira a população será beneficiada.
  • María Corina afirma que o país precisa de investimentos de grande porte, mas também de instituições sólidas, regras transparentes, segurança jurídica e um governo eleito pelo voto popular.
  • Declaração ocorre um dia depois de Donald Trump declarar que o país ainda não está preparado para realizar eleições.
María Corina questionou o acordo.
María Corina questionou o acordo.
Source: Reprodução/ Instagram

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, questionou o acordo de petróleo entre Estados Unidos e o governo interino de Delcy Rodríguez e ressaltou que as riquezas naturais da Venezuela pertencem à população, e não a um governo que considera ilegítimo.

Em vídeo divulgado na quinta-feira, 3, María Corina disse que esperou alguns dias para se pronunciar porque procurou reunir o máximo possível de informações sobre o acordo. Mesmo assim, afirmou que seu verdadeiro alcance ainda não está claro.

“Quem assina? O que realmente está sendo assinado? Quem coloca esse dinheiro? Quem dá as garantias? Como os venezuelanos serão beneficiados?”, questionou.

Anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump – e por Delcy – em 28 de agosto, o acordo prevê que os Estados Unidos tenham controle majoritário sobre uma nova empresa que administrará 17 campos de petróleo venezuelanos. São cerca de 65 bilhões de barris, equivalentes a aproximadamente 21% das reservas comprovadas do país.

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María Corina afirmou compreender a “tristeza” e a “raiva” de venezuelanos diante da sensação de que outros estariam decidindo sobre os recursos do país em nome da população, mas sem consultá-la.

“O patrimônio do nosso solo não pertence a um regime ilegítimo. Pertence ao povo venezuelano”, declarou.

Ela defendeu a importância dos Estados Unidos para a recuperação econômica venezuelana. Segundo María Corina, o país é o principal parceiro de que a Venezuela necessita para desenvolver plenamente seu potencial estratégico.

Essa relação, acrescentou, torna ainda mais importante que os acordos sejam conduzidos com transparência, legalidade e eficiência.

"Precisamos de muito mais do que dinheiro"

O petróleo, nas palavras de María Corina, representa somente uma parte da reconstrução necessária na Venezuela. “Precisamos de investimentos colossais, mas também de muito mais do que dinheiro”, explicou.

Ela argumentou que, diante da atual fragilidade institucional do país, nenhum setor poderá funcionar isoladamente. A recuperação da indústria petrolífera depende também de eletricidade, infraestrutura, portos, segurança pessoal e jurídica, educação, tecnologia e de um sistema financeiro capaz de sustentar os investimentos.

Para María Corina, a Venezuela precisa ainda de um marco legal transparente, instituições técnicas independentes, licitações públicas e abertas, regras tributárias competitivas e estáveis, segurança jurídica e mecanismos de arbitragem internacional.

Além disso, a líder opositora afirmou que somente um governo democrático, com credibilidade e legitimidade, poderá oferecer a estabilidade necessária para investimentos dessa dimensão.

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“Sabemos que não há desenvolvimento possível sem instituições sólidas e sem um governo eleito pelo voto popular”, disse.

María Corina também mencionou a eleição presidencial de 28 de julho de 2024, ressaltando que naquele dia “a nação falou com clareza”. A oposição venezuelana sustenta que Edmundo González venceu aquela disputa contra Nicolás Maduro.

Ela acrescentou que o país precisa recuperar simultaneamente suas instituições, serviços e condições para receber investimentos de longo prazo.

“Venezuela vale muito mais do que seu petróleo”, afirmou ao encerrar a mensagem.

Para Trump, eleições vão levar mais tempo

O vídeo de María Corina foi publicado um dia depois de Trump dizer que não considera a Venezuela preparada para realizar eleições.

Questionado a esse respeito na quarta-feira, 2, na Casa Branca, o presidente norte-americano respondeu que ainda é cedo para convocar os venezuelanos às urnas.

“Acho que eles ainda não estão prontos. É muito cedo. Nós os tiramos de uma ditadura e estamos nos dando muito bem com o novo governo”, disse.

O presidente afirmou que os Estados Unidos querem eleições e que Delcy Rodríguez também deseja realizá-las, mas insistiu que o país ainda não está preparado.

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“Nós queremos [eleições] e eles querem. Delcy quer, mas ainda não estão prontos”.

Trump não se referiu a uma possível data para a realização da votação.

No mesmo dia, Delcy disse que haverá eleições, mas evitou indicar quando. “Eu não defino datas”, afirmou. Segundo a presidente interina, “haverá um processo eleitoral, mas nas condições em que a Venezuela estiver preparada”.

Delcy acrescentou que o trabalho de seu governo é fazer com que o país esteja pronto “quando chegar a hora de realizar seu processo eleitoral”.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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