Multidão toma as ruas de Teerã em cortejo fúnebre de Ali Khamenei

Principais pontos

  • Milhares de iranianos ocuparam as ruas de Teerã para o cortejo fúnebre de Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro durante a ofensiva militar de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
  • O aiatolá será sepultado na quinta-feira, 9, no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, principal local sagrado do país e um dos maiores centros de peregrinação do islamismo xiita.
  • Realizado após o cessar-fogo, o funeral foi transformado pelo governo em uma demonstração de unidade nacional e de apoio ao regime.
Cortejo do aiatolá Ali Khamenei foi acompanhado por uma multidão em Teerã.
Cortejo do aiatolá Khamenei foi acompanhado por uma multidão em Teerã.
Source: Reprodução/Iran Press/Instagram

Iniciado no sábado, 4, o cortejo fúnebre do aiatolá Ali Khamenei, morto no ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, levou uma multidão para as ruas de Teerã nesta segunda-feira, 6. Segundo a imprensa estatal iraniana, a procissão percorreu cerca de 10 quilômetros entre a praça da Revolução e a praça Azadi.

Vestidos de preto, os participantes carregavam bandeiras do Irã, retratos de Khamenei e faixas com a inscrição "Nós nos levantaremos", enquanto entoavam palavras de ordem em homenagem ao líder, que morreu no dia 28 de fevereiro. O metrô da capital ficou lotado desde as primeiras horas da manhã e, apesar das temperaturas próximas dos 40°C, a marcha transcorreu sem incidentes. No fim do dia, o corpo de Khamenei seguiu para Qom, principal centro religioso xiita do país, onde novas cerimônias serão realizadas antes de homenagens em cidades do Iraque.

Khamenei será sepultado na quinta-feira, 9, no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, a cidade natal do aiatolá. O complexo abriga o túmulo de Ali al-Rida (Imã Reza), o oitavo imã do islamismo xiita, e é considerado o local mais sagrado do Irã e um dos principais centros de peregrinação do mundo muçulmano, recebendo cerca de 30 milhões de visitantes por ano.

O cortejo ocorre menos de duas semanas depois da entrada em vigor do cessar-fogo na guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos, negociado após dias de confrontos. A dimensão do funeral chamou atenção porque, alguns meses antes da guerra, o Irã enfrentava um cenário de forte contestação interna, marcado por protestos reprimidos pelas forças de segurança. Para analistas, a mobilização desta segunda-feira representa uma demonstração de apoio ao regime em um momento de reorganização política após a morte de seu principal líder.

Bandeiras vermelhas, tradicionalmente associadas ao desejo de vingança, marcaram o cortejo. Em meio à multidão, viam-se mensagens contra Israel e os Estados Unidos. No domingo, 5, durante a oração fúnebre, participantes escreveram "Morte a Trump" no palco.

O funeral esteve marcado por bandeiras e cores vermelhas, tom usado para significar vingança, foram vistas ao longo do cortejo.
O funeral esteve marcado por bandeiras e cores vermelhas, tom usado para significar vingança.
Source: Reprodução/Iran Press/Instagram

O governo buscou transformar a cerimônia em uma demonstração de unidade nacional. O sucessor do aiatolá, seu filho Mojtaba Khamenei, não foi visto publicamente. Segundo autoridades iranianas, ele permaneceu ausente por razões de segurança, e não em decorrência de ferimentos sofridos durante os ataques israelenses ao complexo presidencial. Outros três filhos do aiatolá, que sobreviveram ao bombardeio, estiveram presentes no funeral. Além de Khamenei, quatro integrantes da família morreram na data.

Ao comentar a mobilização popular para a despedida do aiatolá, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que as imagens do funeral demonstram a coesão do país. Ele rebateu declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que havia classificado o luto dos iranianos como "lágrimas falsas".

Mais de 300 jornalistas estrangeiros receberam vistos para cobrir as cerimônias, uma abertura rara promovida pelo regime para mostrar ao mundo a dimensão da despedida de Khamenei, que estava no poder desde 4 de junho de 1989, quando sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini.

Como líder supremo, Khamenei concentrava o comando das Forças Armadas, da Guarda Revolucionária, do Judiciário e das diretrizes da política externa e do programa nuclear iraniano. Durante seu governo, consolidou a influência de Teerã no Oriente Médio por meio de grupos aliados no Líbano, Síria, Iraque e Iêmen, enfrentou sucessivas rodadas de sanções internacionais e manteve uma postura de confronto com Israel e os Estados Unidos.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.