O melancólico adeus de Neymar na seleção e a pior campanha do Brasil em 36 anos
Principais pontos
- O Brasil foi eliminado pela Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo por 2 a 1, selando sua pior campanha em 36 anos.
- Após a derrota, Neymar anunciou que não disputará mais o mundial pela seleção brasileira.
- A eliminação empurra o país para a maior seca de títulos de sua história, completando 28 anos sem taça até 2030.

Nos acréscimos do segundo tempo do jogo entre Brasil e Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo, Neymar bateu boca com o goleiro Nyland antes de cobrar o pênalti que fechou o placar em 2 a 1 para o time norueguês. O camisa 10 converteu a cobrança e provocou na comemoração: “Aqui não, otário”.
A cena virou assunto por expor a escolha de Neymar em gastar segundos discutindo com o goleiro adversário, ao invés de correr para buscar a bola ou tentar levantar o time para uma última reação - o que se sabia que seria um feito quase impossível, já que o árbitro estava para apitar o fim da partida.
Enquanto parte da torcida viu personalidade, a postura do jogador em priorizar o bate-boca em vez de agilizar o jogo foi apontada como um reflexo do descontrole do time em campo.
A presença de Neymar na seleção que disputaria esta Copa do Mundo, a maior na história da Fifa, nunca foi unanimidade. O técnico Carlo Ancelotti não convocava o jogador desde que assumiu a seleção, em maio de 2025, por conta de questões físicas. O atleta vivia no Santos uma fase instável, longe da forma ideal para um atleta de alto nível.
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Quando veio a convocação, ele estava na lista. Ancelotti revelou que usaria Neymar numa função nova, mais como um centroavante recuado do que o armador clássico como se apresenta hoje. Questionado se o santista seria titular ou opção de banco, o técnico não escondeu a dúvida: "Escolhemos porque pensamos em suas qualidades. Que jogue um minuto, cinco minutos, 90 ou pênaltis". Era uma aposta.
A população se dividia quanto à presença de Neymar na seleção. Em abril, 47% eram a favor da convocação do jogador do Santos, e 45%, contra, segundo pesquisa da Genial/Quaest. O apoio vinha sobretudo dos mais jovens (65% entre 16 e 24 anos). Entre quem acompanhou a carreira inteira de Neymar, a aprovação caía.
Ídolos de outras seleções, como Messi, aos 39 anos, são unanimidade em seus países. Mbappé é a grande referência técnica da França e levou a seleção às quartas de final. Neymar, o jogador mais caro da história do futebol brasileiro, chegou à sua quarta Copa precisando provar que o país ainda queria vê-lo em campo. A resposta não foi a sonhada por ele.
A trajetória de Neymar na seleção
Neymar tinha 22 anos quando estreou em Copas do Mundo, em 2014, jogando em casa. Era a esperança que o Brasil buscava desde a eliminação em 2006, para a França. Fez quatro gols antes da contusão que sofreu após a entrada de Zúñiga, do time colombiano, que o tirou do mundial. Sem ele em campo, o Brasil sofreu o famoso 7 a 1 para a Alemanha na semifinal, a pior derrota da história da seleção. Nasceu ali a expressão que perseguiria a seleção pelos anos seguintes: "Neymardependência".
Vieram, no meio do caminho, os títulos que quase compensaram a sede dos brasileiros pela Copa, caso do ouro olímpico de 2016, contra a própria Alemanha, num pênalti que ele bateu e converteu.
Em 2018, chegou à Rússia recém-operado de uma fratura no pé. Marcou dois gols, deu duas assistências, mas o que mais repercutiu globalmente foram as críticas pelas quedas exageradas no gramado em faltas sofridas. O Brasil caiu nas quartas para a Bélgica.
Em 2022, Neymar machucou o tornozelo já na estreia contra a Sérvia e ficou fora de duas rodadas. Voltou nas quartas de final contra a Croácia e marcou um golaço na prorrogação, tornando-se o terceiro jogador ao lado de Pelé e Ronaldo a marcar em três Copas do Mundo diferentes. A alegria, porém, não durou muito. A seleção foi eliminada nos pênaltis antes mesmo de Neymar bater o seu.
Fim de um ciclo
Depois da derrota deste domingo, 5, Neymar anunciou que não vestirá mais a camisa da seleção numa Copa do Mundo. Termina, aos 34 anos, uma era que começou prometendo um hexa que nunca chegou perto de se consolidar.
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A eliminação para a Noruega foi a pior campanha da seleção em 36 anos – a primeira vez, desde 1990, em que o time se despede do mundial nas oitavas de final. Além disso, o resultado empurra o país para o maior jejum de títulos de sua história.
Desde o pentacampeonato de 2002, foram seis Copas seguidas sem voltar à decisão: o Brasil perdeu nas quartas para a França em 2006; para a Holanda em 2010, na mesma fase; foi goleado pela Alemanha na semifinal de 2014; foi eliminado nas quartas para a Bélgica em 2018; nos pênaltis para a Croácia em 2022; e agora, nas oitavas, para a Noruega.
Em 2030, o Brasil chegará à próxima Copa com 28 anos sem título, superando os 24 anos que separaram o tricampeonato de 1970 do tetra de 1994, até então a maior seca da história do futebol brasileiro.
Ancelotti tentou tratar a queda não como fim, mas como começo. "Quando acontece um momento assim você tem de pensar que uma derrota é o começo de uma nova aventura", disse, na coletiva pós-jogo, no MetLife Stadium, onde aconteceu a partida.
Com contrato renovado até 2030, o técnico italiano terá mais de quatro anos para moldar uma nova seleção, agora sem a presença de Neymar.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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