O que Lula, Flávio Bolsonaro, Zema, Caiado, Renan Santos e Augusto Cury propõem para a economia

Principais pontos

  • Impostos, crédito, infraestrutura e política industrial aparecem entre as principais diferenças dos programas econômicos.
  • Propostas vão de ajuste fiscal e redução da máquina pública a estímulos à indústria, ao empreendedorismo e ao investimento privado.
Veja o que propõem os candidatos à Presidência para a Economia
Veja o que propõem os candidatos à Presidência para a Economia
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A economia brasileira chega à eleição de 2026 com indicadores positivos em algumas das principais frentes acompanhadas pelo próximo governo. O Produto Interno Bruto cresceu 2,3% em 2025 e alcançou R$ 12,7 trilhões, enquanto o desemprego médio ficou em 5,6%, o menor da série iniciada em 2012. A taxa de investimento, por outro lado, permaneceu em 16,8% do PIB.

Os números ajudam a explicar parte do cenário econômico que estará em discussão na eleição, mas não eliminam problemas como a necessidade de ampliar a produtividade e os investimentos, equilibrar as contas públicas, reduzir o custo do crédito e discutir o peso da carga tributária sobre empresas e consumidores.

Nos seis programas de governo, essas questões aparecem acompanhadas de propostas diferentes para o papel do Estado e da iniciativa privada, a política industrial, os impostos, o crédito e a condução das contas públicas. Este texto faz parte de uma série sobre os planos de quem deseja governar o Brasil. Nele, o GSW Brasil lista e examina as principais propostas econômicas dos seis candidatos à Presidência mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais.

Lula mantém o arcabouço fiscal

Lula propõe manter o atual arcabouço fiscal e combinar o controle das despesas com medidas voltadas ao crescimento econômico, ao aumento da eficiência do gasto público e à ampliação da justiça tributária.

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O programa também defende a criação de condições para uma redução sustentada dos juros, sem abandonar o controle da inflação.

Na política de investimentos, o plano prevê elevar a taxa de investimento da economia por meio de projetos de infraestrutura logística e social e incentivar a participação privada na indústria, especialmente em inovação e setores considerados estratégicos.

A política industrial continuaria organizada em torno da Nova Indústria Brasil, programa federal voltado à modernização e ao aumento da competitividade da indústria nacional, com prioridades como inteligência artificial, minerais críticos, transição ecológica e cadeias tecnológicas.

O candidato também propõe aprofundar o mercado doméstico de capitais e ampliar os instrumentos de financiamento de longo prazo, além de fortalecer políticas de crédito produtivo e continuar a simplificação do ambiente de negócios para micro e pequenas empresas.

Flávio Bolsonaro quer reduzir máquina pública

Flávio Bolsonaro propõe rever a reforma tributária com o objetivo de reduzir a carga sobre produção e consumo e defende um ajuste fiscal baseado na redução do tamanho da máquina pública.

O programa prevê cortar pelo menos dez ministérios, reduzir cargos comissionados e despesas administrativas e combater supersalários e benefícios considerados excessivos.

O plano também propõe revisar regras tributárias, previdenciárias e trabalhistas e realizar um “revogaço regulatório”, com a retirada de normas consideradas desnecessárias.

Na agenda empresarial, aparecem medidas de desburocratização, a criação do Minha Primeira Empresa e a ampliação do crédito para pequenos negócios.

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A proposta inclui ainda uma nova missão para a Caixa Econômica Federal no financiamento da aquisição de patrimônio e do empreendedorismo.

Na infraestrutura, Flávio Bolsonaro prevê R$ 900 bilhões em investimentos ao longo de quatro anos para rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias, com forte participação da iniciativa privada.

Zema propõe choque fiscal

Zema propõe um choque fiscal como instrumento para estabilizar a dívida pública e criar condições para a queda dos juros.

O plano inclui redução de despesas, combate a fraudes em programas sociais e ampliação de parcerias com o setor privado na prestação de serviços públicos.

Na política de crédito, o candidato prevê reduzir impostos incidentes sobre empréstimos e diminuir gradualmente as linhas de crédito direcionado e subsidiado, ao mesmo tempo em que pretende aumentar a concorrência no sistema bancário.

A proposta está associada à redução do custo do financiamento e a uma menor participação do Estado na definição da oferta de crédito.

Para as empresas, Zema propõe reduzir gradualmente o Imposto de Renda, aproximando a tributação brasileira da praticada em outros países, além de diminuir barreiras à entrada de novos concorrentes e simplificar regras trabalhistas e regulatórias.

O programa também defende maior segurança jurídica para investimentos, autonomia das agências reguladoras, abertura comercial e aumento da concorrência em diferentes setores da economia.

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Caiado quer ajuste com crescimento

Caiado propõe uma estratégia de estabilização fiscal acompanhada de uma agenda nacional de crescimento, com a iniciativa privada como principal motor dos investimentos e atuação do Estado em áreas como infraestrutura, capital humano, estabilidade econômica e regulação.

O programa prevê uma Estratégia Brasil 2040, plano de longo prazo para orientar as políticas de desenvolvimento, além de medidas para reduzir o custo do capital produtivo, ampliar acordos comerciais, diminuir barreiras à importação de insumos e tecnologia e fortalecer micro e pequenas empresas.

A política industrial busca aumentar a complexidade tecnológica e o valor agregado da produção brasileira, com incentivos à inovação, ao processamento de minerais estratégicos e à inteligência artificial, além de maior integração entre agronegócio, indústria, energia, mineração e ciência.

O candidato também propõe revisar gastos e subsídios, reduzir desperdícios e reorganizar a administração federal sem retirar, segundo o programa, a rede de proteção social das famílias de baixa renda.

Renan Santos pretence criar zonas econômicas especiais

Renan Santos apresenta um ajuste fiscal estimado no próprio plano em aproximadamente R$ 250 bilhões anuais e defende mudanças na estrutura do Estado e no sistema de benefícios sociais.

O programa associa a recuperação das contas públicas ao aumento da produtividade e propõe uma reforma do assistencialismo que procure reduzir desincentivos à entrada no mercado formal de trabalho.

Outra frente é a criação de Zonas Econômicas Especiais, áreas com regras tributárias e aduaneiras próprias, redução de burocracia e infraestrutura dedicada para estimular a instalação de empresas.

O plano sugere inicialmente polos industriais em Suape, Pecém/Araripe e Aratu-Camaçari, voltados a setores como hidrogênio verde, petroquímica, aço de baixo carbono, fertilizantes, baterias e semicondutores.

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A proposta procura concentrar investimentos em regiões e setores considerados estratégicos, combinando condições tributárias específicas com infraestrutura para atrair empresas e ampliar a produção.

Cury e o espaço do empreendedor

Augusto Cury coloca o empreendedorismo entre os principais instrumentos de desenvolvimento econômico e propõe criar uma Secretaria Executiva ou um novo Ministério do Empreendedorismo e da Economia Distribuída.

O programa prevê uma política nacional para estimular pequenos negócios, economia local, cooperativismo e formação empresarial, acompanhada por programas de capacitação e acesso a crédito.

Entre os projetos apresentados estão Comunidades Empreendedoras do Brasil, Brasil Empreendedor nas Estradas, Agroindústria Brasil, Brasil Cooperativismo, Brasil Exportador e Embaixadas Empreendedoras.

As iniciativas procuram aproximar pequenos produtores e empreendedores dos mercados nacional e internacional e ampliar a participação de negócios de menor porte nas cadeias produtivas.

O programa também associa o estímulo ao empreendedorismo à formação empresarial e ao acesso ao crédito, com propostas voltadas à expansão de pequenos negócios e ao fortalecimento de atividades econômicas locais.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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