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Onda de true crime com mulheres em foco tem mais um filme: ‘Elize’, da Netflix

Principais pontos

  • O filme “Elize: Sombras de Uma Mulher”, da Netflix, protagonizado por Lorena Comparato, transforma o caso Matsunaga em um suspense psicológico que combina fatos conhecidos e elementos de ficção.
  • A produção retoma uma história já abordada no documentário “Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime” e na série “Tremembé”, cuja segunda temporada está prevista para 2027.
  • Casos como os de Suzane von Richthofen, Daniella Perez, Isabella Nardoni, Eliza Samudio, Eloá Pimentel e Ângela Diniz alimentam a expansão do true crime brasileiro nos serviços de streaming.
O filme "Elize: Sombras de Uma Mulher", da Netflix, traz de volta o caso Elize Matsunaga (Lorena Comparato), que matou e esquartejou o marido, Marcos Matsunaga (Henrique Kimura).
O filme "Elize: Sombras de Uma Mulher", da Netflix, traz de volta o caso Elize Matsunaga (Lorena Comparato), que matou e esquartejou o marido, Marcos Matsunaga (Henrique Kimura).
Source: Netflix/ Ana Pazian
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O gênero true crime tem força no Brasil, em especial se há mulheres no centro da história. Entre os exemplos mais recentes de sucesso estão as produções em torno de Suzane von Richthofen, que, aos 18 anos, planejou o assassinato dos pais junto com o então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão do criminoso, Cristian Cravinhos.

O caso, ocorrido na casa das vítimas, em 2002, chocou o Brasil. E ainda choca. A história rendeu uma trilogia baseada nos autos do processo: “A Menina que Matou os Pais” (2021), “O Menino que Matou Meus Pais” (2021) e “A Menina que Matou os Pais: A Confissão” (2023). Nos três filmes, a atriz Carla Diaz interpreta Suzane.

No ano passado, o público brasileiro garantiu boa audiência à série “Tremembé” em que Suzane volta a aparecer, mas vivida por Marina Ruy Barbosa. Tanto os filmes quanto a série estão disponíveis no Prime Vídeo.

“Tremembé” reúne outros personagens inspirados em presos conhecidos, como Elize Matsunaga, que assassinou com um tiro e esquartejou seu marido, e Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados pela morte de Isabella Nardoni, de 5 anos, em 2008. A menina era filha de Alexandre que, na época, estava casado com Anna Carolina. Todos estiveram, em algum momento, no Complexo Penitenciário de Tremembé, no interior paulista.

Na série do Prime Video, Elize (vivida por Carol Garcia) já tinha chamado atenção dos interessados no gênero. Agora, a história do crime que ela cometeu volta a atrair olhares. Nesta quarta-feira, 22, estreou o filme “Elize: Sombras de Uma Mulher”, na Netflix. Lorena Comparato é a protagonista e brilha ao interpretar a jovem que foi garota de programa e vira namorada de um cliente, o herdeiro de empresa famosa do segmento alimentício, com quem depois se casa.

O longa tem roteiro de Raphael Montes (“Bom Dia, Verônica”), em parceria com Mariana Torres (Bom Dia, Verônica - Temporada 3). A direção é de Felipe Vellas (“DNA do Crime”). No elenco estão Henrique Kimura – que faz Marcos Matsunaga, neto do fundador da Yoki (a companhia foi vendida para a General Mills em 2012) – e Denise Weinberg, que interpreta uma tia de Elize.

É importante ressaltar que o filme é inspirado no caso real. Isso porque a trama envolve algumas modificações em relação ao que se passou e cria trechos ficcionais ou sobre os quais não há certezas.

Definida como um suspense psicológico dramático, a produção transita pela história de Elize e sugere que a jovem passou por uma situação de abuso sexual dentro de sua casa, quando adolescente. Também mostra que o relacionamento tinha turbulências. Um ponto que o filme traz para o público é que Elize temia ser internada pelo marido – que a chamava de louca – e perder a guarda da filha.

“Esse não é um filme apenas sobre um crime. O objetivo era contar uma história que também fizesse refletir. Queríamos trazer a violência como discussão: o que levou Elize a esse ato tão brutal?”, declarou Raphael Montes. “A gente quis mostrar a dualidade dessa mulher. É uma história que pode até ser identificável em alguns aspectos, mas tem o pior desfecho possível”, completou a roteirista Mariana.

Lorena, que fez terapia para fazer o papel de Elize, disse que interpretar uma mulher “com tantas camadas” e uma história cheia de nuances foi um trabalho extremamente complexo. “Exige muita responsabilidade, pois a gente está falando de um crime real com consequências reais. Espero que o filme contribua para debates importantes na sociedade”. 

Produzido pela Boutique Filmes, responsável pelo documentário “Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime” (2021), também disponível na Netflix, o filme tem produção de Gustavo Mello, produção executiva de Renata Artigas, Marcelo Máximo e Adriana Gaspar, e conta também com Raphael Montes como produtor associado.

Assim como Suzane von Richthofen, Elize deverá voltar ao streaming em 2027, quando está prevista a estreia da segunda temporada de “Tremembé”. A série deverá acompanhar a vida das duas depois da saída da prisão. Condenada em 5 de dezembro de 2016, a 19 anos, 11 meses e um dia de prisão, pela morte de Marcos e pela destruição e ocultação do cadáver, Elize teve a pena referente ao homicídio reduzida pelo STJ em 2019, após o reconhecimento da atenuante da confissão e obteve liberdade condicional em 2022.

Suzane, que foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão em 2006, deixou a prisão em janeiro de 2023, após obter progressão para o regime aberto.

Crimes reais no streaming

Confira outras produções que retratam ou se inspiram em casos verdadeiros e que têm mulheres no centro da história.

Documentários

  • “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez” (2022, HBO Max) — Série documental sobre o assassinato da atriz Daniella Perez, em 1992, com depoimentos da mãe, Glória Perez, de colegas e de profissionais envolvidos na investigação.
  • “Isabella: o Caso Nardoni” (2023, Netflix) — Documentário sobre a morte de Isabella Nardoni, de 5 anos, lançada do sexto andar do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá.
  • “A Vítima Invisível: O Caso Eliza Samudio” (2024, Netflix) — A produção recupera, por meio de mensagens e outros registros pessoais, a história da jovem Eliza, assassinada em 2010 depois de buscar na Justiça o reconhecimento da paternidade e pensão para o filho que teve com Bruno, então goleiro titular do Flamengo.
  • “Caso Eloá: Refém ao Vivo” (2025, Netflix) — Revisita o sequestro e o assassinato de Eloá Pimentel pelo ex-namorado Lindemberg Alves, com páginas inéditas do diário da adolescente e depoimentos de pessoas próximas.

Dramatizações

  • “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada” (2025, HBO Max) — Minissérie inspirada no podcast “Praia dos Ossos”, com Marjorie Estiano como Ângela Diniz e Emílio Dantas como Doca Street, que matou a companheira em 1976.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.