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Sucesso de vendas da Bienal reflete expansão do mercado editorial
Principais pontos
• Bienal de São Paulo recebeu 760 mil visitantes e teve alta de 57% no faturamento médio dos expositores sobre a edição anterior.
• Jovens autoras como Ariani Castelo e Nicole Oliveira despontam como fenômenos que chegam às grandes editoras após conquistar público de forma independente.
• Book charms, livros em miniatura que podem ser usados como acessório, chamaram atenção na feira; “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, ganhou versão no formato.

Números recordes embalam a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que terminou neste domingo, 13, no Distrito Anhembi. Foram 760 mil visitantes em dez dias, ante 722 mil na edição de 2024, crescimento de 5,3%. Os organizadores informam crescimento de 57% no faturamento médio dos expositores em relação à Bienal anterior.
Esses resultados ajudam a dimensionar uma edição que teve metade dos dias com ingressos esgotados. O número de expositores passou de 227 em 2024 para 269 neste ano, alta de 18,5%, enquanto o de autores subiu de 716 para 800, avanço de quase 12% - e 91% deles foram brasileiros. Ao todo, 3,65 milhões de livros foram colocados à disposição do público, mesmo número informado no balanço da edição anterior.
O desempenho das editoras também traz bons números. A Rocco registrou alta de 121% no faturamento em relação à Bienal de São Paulo de 2024 e de 37% na comparação com a última edição do evento no Rio de Janeiro, em 2025. Entre os livros que movimentaram seu estande estavam “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, títulos de “Jogos Vorazes”, de Suzanne Collins, e os romances da brasileira Ariani Castelo, 27 anos, que se tornou a autora mais vendida da editora no evento.
A Intrínseca, que levou à Bienal lançamentos como “História de Taipei”, de R.F. Kuang, registrou crescimento de 85%. Sextante/Arqueiro avançou 82%. Já a Companhia das Letras, que teve entre os destaques do evento o lançamento de “A Estranha na Cama”, de Raphael Montes, aumentou o faturamento em 67% e vendeu 55% mais exemplares do que em 2024.
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A Editora Mostarda informou crescimento de 50% nas vendas, enquanto a VR Editora avançou 32% e classificou esta como a melhor Bienal de sua história. A Livraria Loyola vendeu mais de 60 mil exemplares durante os dez dias.
O Grupo Editorial Record é mais uma a celebrar as vendas: crescimento de 76%. Ela teve, entre os autores presentes, Carla Madeira, de “Tudo É Rio” e “Véspera”, que levou para a Bienal seu novo romance, “Quando”. A Autêntica avançou 85%, enquanto a Globo dobrou o faturamento em relação à edição anterior.
Outro indicador da intensidade das vendas veio da Rocco: nos quatro primeiros dias da Bienal, a editora vendeu mais livros do que costuma comercializar durante um mês inteiro para a Livraria Leitura, maior rede de livrarias do país.
Setor já vinha crescendo
Os números excepcionais da Bienal não aparecem isolados. Eles refletem um mercado editorial que já vinha registrando expansão nas vendas e na base de consumidores.
Em 2025, o Brasil ganhou cerca de três milhões de novos compradores de livros, segundo levantamento da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e da Nielsen BookData. No mesmo ano, as editoras venderam ao mercado 6,5% mais exemplares do que em 2024.
De acordo com a CBL, o setor faturou R$ 4,5 bilhões em 2025, com a venda de 185,1 milhões de exemplares, considerando livros impressos e digitais comercializados no mercado brasileiro.
A tendência de alta continua em 2026. Até 12 de julho, tinham sido vendidos no varejo 35,6 milhões de exemplares, crescimento de 10,2% em volume sobre o mesmo período de 2025. O faturamento chegou a R$ 1,89 bilhão, aumento de 12,7%, segundo o Painel do Varejo de Livros no Brasil, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da NielsenIQ BookScan.
Novos autores ganham espaço
A Bienal deste ano deu visibilidade a uma nova geração de autores brasileiros que chega às grandes editoras depois de formar seu público fora dos caminhos tradicionais do mercado.
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A fluminense Ariani Castelo é um desses casos. “Coração de Cristal Partido” esgotou quatro remessas durante o evento, enquanto seu livro anterior, “O Abismo de Celina”, também apareceu entre os mais vendidos da editora no evento.
A trajetória de Ariani começou com fanfics ainda na adolescência. Aos 27 anos, passou para a autopublicação na Amazon e, pouco depois de publicar de forma independente “O Abismo de Celina”, foi contratada pela Rocco. É um percurso ligado à formação de comunidades de leitores na internet, capazes de acompanhar e impulsionar autores.
Outra fluminense que se destaca é Nicole Oliveira. A autora também começou no mercado independente, publicou cinco romances por conta própria e acumulou mais de sete milhões de páginas lidas e mais de 20 mil e-books vendidos na Amazon. Seus livros independentes se esgotaram na Bienal de São Paulo de 2024 e na do Rio de Janeiro de 2025.
Em 2026, Nicole chegou ao mercado editorial tradicional com “Altarin”, lançado pela Neon, selo jovem da Buzz. Na Bienal deste ano, o romance ficou entre os dez livros mais vendidos da editora.
Livros que também viram acessórios
Não são apenas novos nomes que ganharam espaço no vento. Um formato que chamou atenção é o dos chamados book charms. São edições em miniatura que reproduzem o conteúdo do livro e podem ser carregadas como chaveiros ou acessórios.
A Planeta apostou no formato em um lançamento. “O Diário de Tarefas Gnomosas do Floreante Viajante”, de Maidy Lacerda, chega em versão book charm. Foi o título mais vendido do estande da editora no primeiro fim de semana da Bienal. Segundo a Planeta, o resultado superou as expectativas.
A Rocco, por sua vez, escolheu a Bienal para fazer o pré-lançamento da versão book charm de “A hora da estrela”, de Clarice Lispector. O clássico já atravessava um novo ciclo comercial: até o fim de agosto, havia ultrapassado 100 mil exemplares vendidos em 2026 e era o segundo livro de ficção mais vendido do ano, conforme dados Nielsen-PublishNews informados pela editora.
Na Bienal, a procura pelo book charm de “A hora da estrela” exigiu uma nova remessa. A Rocco pretende ampliar a coleção, inclusive com títulos de ficção jovem.
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O formato aparece também em catálogos de outras editoras. A Principis levou book charms de clássicos de Jane Austen e Emily Brontë; a Pé da Letra, de obras de Machado de Assis, Franz Kafka e Antoine de Saint-Exupéry. A Culturama havia lançado em agosto “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, no mesmo formato.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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