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Cesarianas avançam no SUS mesmo em gestações de baixo risco, aponta estudo
Principais pontos
- Estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde, do Hospital Israelita Albert Einstein, aponta que a participação das cesarianas no SUS entre gestantes de baixo risco subiu de 32,4% para 44,6% entre 2009 e 2023, apesar das políticas de incentivo ao parto vaginal.
- O aumento dos partos cirúrgicos foi registrado em todas as regiões do país e está associado a maior tempo de internação, custos mais elevados para o SUS e riscos adicionais para mães e bebês quando não há indicação clínica.
- Pesquisadores defendem ampliar os Centros de Parto Normal e fortalecer a atenção primária para conter o avanço das cesarianas desnecessárias e qualificar a assistência materna.

As cesarianas estão ganhando espaço no Sistema Único de Saúde (SUS) mesmo entre gestantes de baixo risco, aponta um estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS), do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Publicada em março na revista Einstein, a pesquisa analisou partos hospitalares de baixo risco realizados no SUS entre 2009 e 2023. No período, os partos por via vaginal caíram 39%, enquanto o número absoluto de cesarianas aumentou 3%. Com isso, a participação dos partos cirúrgicos subiu de 32,4% para 44,6% dos nascimentos, apesar das políticas públicas de incentivo ao parto vaginal.
O avanço ocorreu em todas as regiões do país, com diferenças importantes entre os estados. O Nordeste, historicamente associado a menores índices de cesariana, registrou crescimento expressivo. Roraima foi a única exceção, com queda na taxa de partos cirúrgicos, de 19,4% para 6,8% em 14 anos.
O estudo também aponta impacto sobre o sistema de saúde. As cesarianas estiveram associadas a maior tempo de internação e maior financiamento público por procedimento. “Quando pensamos no volume absoluto de nascimentos no país, o aumento progressivo das cesarianas representa também um aumento importante da carga financeira e estrutural sobre o sistema de saúde”, afirma Eduardo Felix Santana, ginecologista, obstetra, professor do Einstein e um dos autores do artigo.
Embora a cesariana seja essencial quando há indicação clínica, o procedimento sem necessidade pode aumentar riscos para mães e bebês. Entre as mulheres, estão hemorragia, infecção, trombose, complicações anestésicas, recuperação mais lenta e problemas em gestações futuras. Para recém-nascidos, a cesárea eletiva, especialmente antes do início do trabalho de parto, está associada a maior risco de desconforto respiratório, internação em UTI neonatal e alterações na formação inicial da microbiota intestinal.
Entre mulheres com 40 anos ou mais, os pesquisadores observaram piores indicadores hospitalares, especialmente no grupo das cesarianas. O estudo registra mortalidade hospitalar numericamente maior para partos cirúrgicos nessa faixa etária, embora sem significância estatística.
Para os autores, o avanço das cesarianas revela desafios estruturais, culturais e logísticos persistentes no SUS. O artigo defende o fortalecimento da atenção primária, a ampliação dos Centros de Parto Normal e o uso mais criterioso da cesariana, de forma a equilibrar segurança, acesso e qualidade da assistência materna no país.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.