O futuro da saúde pública no Brasil

Uma comunidade para mães, famílias e cuidadores que acompanham a saúde no Brasil — com histórias para compartilhar e conversar no WhatsApp.

Cientistas brasileiros identificam caminho para desenvolver vacina universal contra a malária

Principais pontos

  • Pesquisadores da Fiocruz identificam novos alvos do parasita da malária que podem abrir caminho para vacinas com proteção mais ampla.
  • Estudo aponta proteínas presentes em diferentes espécies do Plasmodium e em várias fases da infecção, ampliando o potencial de um futuro imunizante.
  • Embora ainda em fase inicial, a descoberta representa um avanço no combate a uma doença que causou mais de 600 mil mortes no mundo em 2024.
Vacina e tratamentos contra maláeria
Cientistas identificaram proteínas do parasita Plasmodium que podem servir de base para um imunizante com potencial para proteger contra diferentes espécies do microrganismo.
Source: Depositphotos
Entre na nossa comunidade

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deram um passo importante para o desenvolvimento de uma nova geração de vacinas contra a malária. O grupo identificou um conjunto de proteínas do parasita Plasmodium que pode servir de base para um imunizante com potencial para proteger contra diferentes espécies do microrganismo e atuar em múltiplas fases da infecção.

A descoberta foi publicada no dia 1º de julho na Nature, uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo. Embora ainda esteja em estágio inicial, o estudo abre perspectivas para o desenvolvimento de vacinas contra uma doença que continua sendo um dos maiores desafios da saúde global. Segundo o Relatório Mundial da Malária 2025, da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 280 milhões de casos e 600 mil mortes foram registrados no mundo em 2024.

A malária é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles. Os sintomas incluem febre alta, calafrios, dor de cabeça, dores musculares e fadiga. Nos casos mais graves, a infecção pode provocar falência de órgãos e levar à morte.

Hoje, as vacinas aprovadas contra a doença oferecem proteção parcial. Elas são direcionadas principalmente contra o Plasmodium falciparum, a espécie responsável por mais de 90% das mortes globais pela doença. A eficácia desses imunizantes tende a diminuir ao longo do tempo.

Um caminho diferente

A maior parte das vacinas em desenvolvimento busca estimular a produção de anticorpos. A pesquisa da Fiocruz adotou uma estratégia diferente ao investigar o papel dos linfócitos T CD8+, células de defesa capazes de identificar e destruir células infectadas pelo parasita. Esse é o principal avanço desse estudo. O mecanismo é diferente do oferecido pelos anticorpos, que impedem a entrada do parasita nas células. Já os linfócitos T CD8+ têm potencial para eliminar o microrganismo já presente no organismo.

Na primeira etapa da pesquisa, os cientistas identificaram peptídeos, pequenos fragmentos de proteínas, do Plasmodium que ficam expostos na superfície das células infectadas. Eles funcionam como sinalizadores para os linfócitos T CD8+.

Ao todo, foram identificados 453 peptídeos, derivados de 166 proteínas do Plasmodium vivax, espécie predominante nas Américas.

Em seguida, a equipe analisou a origem desses fragmentos e constatou que a maioria provinha das chamadas proteínas housekeeping, responsáveis por funções essenciais para a sobrevivência do parasita.

Essas proteínas estão presentes em todas as fases do ciclo de vida do Plasmodium e sofrem poucas alterações entre as diferentes espécies. Por isso, elas representam alvos promissores para uma vacina com potencial de proteção mais ampla, capaz de atuar contra diversas variantes da malária e em diferentes momentos da infecção.

Os pesquisadores avaliaram, então, se esses peptídeos realmente eram reconhecidos pelo sistema imunológico. Os testes mostraram que células de pacientes infectados por Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum responderam aos antígenos identificados. A reação também foi observada em outras três espécies do parasita que infectam primatas e camundongos.

A resposta imunológica foi confirmada em cinco espécies de Plasmodium e em diferentes hospedeiros. Os experimentos também mostraram que os antígenos ativaram células T em órgãos importantes para a infecção, como o fígado. Em alguns modelos animais, esses alvos reduziram a quantidade de parasitas no organismo, sugerindo um possível efeito protetor.

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que ainda não se trata de uma vacina pronta. Os antígenos identificados precisarão passar por novas etapas de validação, estudos pré-clínicos e ensaios clínicos antes que possam ser incorporados ao desenvolvimento de um imunizante.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.