Taxa de condomínio sobe 25% em três anos; veja o que pesa no boleto
Principais pontos
- Levantamento da uCondo mostra que a taxa condominial média passou de R$ 413 no primeiro semestre de 2022 para R$ 516 no mesmo período de 2025, alta de 24,9%.
- Pessoal e encargos estão entre os principais custos dos condomínios; áreas como piscina, academia e pet place também geram despesas, mas o número de unidades influencia o valor do rateio.
- A inadimplência superior a 30 dias chegou a 11,95% no primeiro semestre de 2025; o Rio Grande do Norte registrou o maior índice entre os estados, de 32,83%.

O custo de morar em prédios aumentou nos últimos três anos no Brasil. A taxa condominial média passou de R$ 413 no primeiro semestre de 2022 para R$ 516 no mesmo período de 2025, uma alta de 24,9%. Ao mesmo tempo, cresceu a parcela de pagamentos atrasados por mais de 30 dias.
Os dados fazem parte do Censo Condominial 2025/26, elaborado pela empresa de gestão condominial uCondo. O relatório mostra que o Brasil contabiliza mais de 13 milhões de arranjos condominiais, 327 mil empreendimentos e 39 milhões de moradores.
Para calcular os valores de condomínio e a inadimplência, o estudo utilizou informações de sua base de clientes, que tem amostragem em todos os estados e no Distrito Federal. E também recorreu a dados coletados junto ao IBGE e à Receita Federal.
Entre as causas para essa alta está o aumento dos custos operacionais e dos serviços do condomínio. Entre eles, estão portaria, limpeza, segurança, iluminação e manutenção de áreas comuns, elevadores, jardins e espaços de lazer.
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O que pesa no condomínio
Dados do setor em São Paulo ajudam a entender como esse dinheiro é gasto. O Índice Periódico de Variação de Custos Condominiais (Ipevecon), da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), acompanha as despesas de uma amostra de condomínios da capital paulista.
Em 2025, os gastos ficaram distribuídos deste modo: pessoal, 36,96%; encargos, 17,26%; benefícios, 7,32%; água, 8,31%; energia elétrica, 4,16%; manutenção, 6,87%; material de consumo, 1,03%; administração, 7,67%; despesas gerais, 2,88%; e eventuais, 7,54%.
Na capital paulista há mais um indicador que demonstra a elevação dos valores. O Índice de Custos Condominiais (Icon), calculado pelo Secovi-SP para condomínios residenciais da região metropolitana de São Paulo, acumulou alta de 5,29% em 2025.
Esse percentual ganha ainda mais relevância quando comparado ao IGP-M do mesmo período, que teve variação negativa de -1,05% — ou seja, os custos condominiais paulistanos subiram bem acima da inflação, evidenciando que o aumento reflete principalmente pressão de custos operacionais (mão de obra, manutenção, tarifas) e não um simples repasse inflacionário geral.
Piscina, academia e pet place entram na conta
As comodidades oferecidas aos moradores influenciam a composição do condomínio. Piscina, academia, sauna, salão de festas, espaço gourmet, brinquedoteca, quadras e pet place aumentam a estrutura que precisa ser limpa, conservada e, em alguns casos, equipada ou atendida por funcionários.
Isso não significa necessariamente que um condomínio com muitas áreas de lazer terá uma taxa maior que a de um prédio simples. O número de unidades entre as quais as despesas são divididas faz diferença.
Um edifício pequeno com porteiro 24 horas e dois elevadores, por exemplo, pode ter custos fixos elevados divididos entre poucas famílias. Em um condomínio-clube com centenas de apartamentos, despesas de piscina, academia e outras áreas podem ser rateadas entre um número muito maior de moradores.
Também é preciso distinguir essas despesas regulares das extraordinárias, como grandes reformas, obras ou modernizações.
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Variações por regiões: Sul tem a maior taxa média
Os valores também variam bastante pelo país. Segundo a uCondo, no primeiro semestre de 2025, o Sul tinha a maior taxa condominial média, de R$ 537,32.
No Nordeste, esse custo ficou em R$ 522,30; no Sudeste, R$ 516,84; e no Centro-Oeste, R$ 514,51. O estudo identificou aumento das taxas em quatro das cinco regiões entre 2022 e 2025. A exceção foi a Norte.
No Sudeste, por exemplo, a média passou de R$ 395,77 no primeiro semestre de 2022 para R$ 516,84 no primeiro semestre de 2025, avanço de 30,6%.
O Censo Condominial da uCondo estima 327.248 condomínios residenciais ativos e com CNPJ no país. O Sudeste concentra 55% deles, seguido pelo Sul, com 26%; Nordeste, 13%; Centro-Oeste, 5%; e Norte, 1%. São Paulo lidera, com 81.442 condomínios.
Inadimplência também aumenta
As altas na despesa com o condomínio implicaram na maior dificuldade de manter os pagamentos em dia. A inadimplência condominial superior a 30 dias chegou a 11,95% no primeiro semestre de 2025, de acordo com o relatório da uCondo. No semestre anterior, estava em 9,83%.
A situação variou muito entre os estados. No primeiro semestre de 2025, o Rio Grande do Norte apresentou o maior percentual desse atraso (superior a 30 dias) entre os estados: 32,83%. O menor foi o de Santa Catarina, com 3,34%.
Outros estados apresentaram estes índices de inadimplência superior a 30 dias: Rio de Janeiro chegou a 17,42%, Rio Grande do Sul a 12,71%, São Paulo a 11,19% e Paraná a 6,04%.
Como as taxas financiam as despesas coletivas, a inadimplência reduz o dinheiro disponível para manutenção, investimentos e serviços essenciais do condomínio.
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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