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El Niño pode elevar casos de dengue e chikungunya

Principais pontos

  • Ministério da Saúde alerta que o fenômeno climático, que será mais intenso, pode favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti e elevar a transmissão de arboviroses já no segundo semestre.
  • Projeção do InfoDengue, da Fiocruz, indica cerca de 1,7 milhão de casos de dengue no país em 2027.
  • O risco deve aumentar principalmente no Sul e no Sudeste a partir de outubro; eliminar criadouros do mosquito é a principal forma de prevenção.
Mosquitos Aedes aegypti
O InfoDengue, sistema de alerta epidemiológico da Fiocruz, indica que o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027.
Source: Agência Brasil/ Marcelo Camargo
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O Ministério da Saúde alertou estados e municípios para a possibilidade de aumento dos casos de dengue, chikungunya e outras arboviroses no Brasil ao longo do segundo semestre. As autoridades governamentais recomendam o planejamento antecipado de ações de vigilância e controle por parte das secretarias de saúde. A preocupação está relacionada à formação de um El Niño que pode alcançar intensidade elevada e produzir alterações de temperatura e chuva favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês) confirmou em junho a formação do El Niño. Em julho, o órgão informou que o fenômeno estava se fortalecendo e calculou em 81% a probabilidade de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro.

Uma nota técnica do InfoDengue, sistema de alerta epidemiológico desenvolvido pela Fiocruz, prevê maior impacto sobre a transmissão de dengue nas regiões Sul e Sudeste, principalmente a partir de outubro. A projeção indica que o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027.

O alerta ocorre apesar da redução observada neste ano. Até 20 de junho de 2026, o país havia contabilizado 392,8 mil casos prováveis de dengue, queda de 73% em comparação com o mesmo período de 2025. Os registros de chikungunya diminuíram 46%.

Por que o El Niño aumenta o risco

O El Niño é um fenômeno periódico provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos, as temperaturas e a distribuição das chuvas em diferentes partes do Brasil.

O fenômeno não causa dengue ou chikungunya diretamente. Mas temperaturas mais elevadas podem favorecer a presença e a atividade do Aedes aegypti, enquanto as chuvas aumentam a quantidade de recipientes com água parada nos quais a fêmea deposita seus ovos.

A seca também pode ampliar o risco quando leva a população a armazenar água em caixas, tonéis e outros reservatórios sem vedação adequada. Neste ano, a preocupação é maior porque as projeções apontam um El Niño mais intenso, com efeitos já no segundo semestre.

Sintomas de dengue e chikungunya

Dengue e chikungunya são doenças virais transmitidas principalmente pela picada do Aedes aegypti. Ambas podem causar febre, dor de cabeça, cansaço, náuseas, dores musculares e manchas na pele. Na dengue, são mais comuns a febre alta, a dor atrás dos olhos e as dores no corpo. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, dificuldade para respirar e sangramentos indicam risco de agravamento.

A chikungunya se distingue principalmente pela dor intensa e pelo inchaço nas articulações, que podem persistir por meses ou anos. Como os sintomas das duas doenças são semelhantes, a orientação é procurar atendimento e evitar a automedicação, especialmente ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios, que podem aumentar o risco de sangramento em casos de dengue.

Mais fatores que podem influenciar uma epidemia

A estimativa de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027 foi construída a partir de cenários climáticos e não representa um número definitivo.

A evolução real da epidemia dependerá ainda de fatores que não podem ser antecipados pelo cenário climático, como a imunidade da população, os sorotipos em circulação, a cobertura vacinal, as condições socioeconômicas e a eficácia das ações de controle do mosquito. Também não antecipam a possibilidade de novas áreas passarem a registrar transmissão.

As estimativas poderão ser atualizadas conforme os indicadores climáticos e epidemiológicos evoluírem ao longo do segundo semestre.

Como evitar a proliferação do mosquito

O Aedes aegypti vive principalmente dentro das casas ou em suas proximidades. A principal forma de prevenção é eliminar os locais onde o mosquito pode depositar seus ovos.

A população deve esvaziar e limpar recipientes que acumulem água, manter caixas-d’água e outros reservatórios bem tampados, limpar calhas e ralos, tratar piscinas e descartar corretamente pneus, garrafas e outros objetos. Telas, mosquiteiros, roupas que protejam o corpo e repelentes também ajudam a evitar as picadas.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.