Eleições 2026| Ativista nos protestos de 2014, Renan Santos almeja agora o topo da política brasileira

Principais pontos

  • Fundador e estrategista do MBL, Renan Santos disputa pelo Partido Missão seu primeiro cargo eletivo nas eleições de 2026.
  • Crítico de Lula e do bolsonarismo, combina uma agenda econômica liberal com políticas mais rígidas de combate ao crime.
  • Com estilo combativo, busca transformar a influência do MBL nas redes sociais em apoio suficiente para uma candidatura nacional competitiva.
Iliustração de Renan Santos, candidato à presidência da República
Iliustração de Renan Santos, candidato à presidência da República
Source: GSW BR

Renan Santos, de 41 anos, é empresário, ativista político e candidato do Partido Missão à Presidência da República nas eleições de 2026. Nascido em São Paulo, construiu sua trajetória política principalmente fora de cargos eletivos e ganhou projeção nacional como um dos fundadores e principais estrategistas do Movimento Brasil Livre (MBL). Em 2026, disputa pela primeira vez um cargo público.

Santos tornou-se conhecido nacionalmente a partir das manifestações contra o governo de Dilma Rousseff. Fundado em 2014, o MBL teve participação relevante na mobilização dos protestos favoráveis ao impeachment da então presidente, especialmente em 2015 e 2016. Nos anos seguintes, Renan permaneceu principalmente nos bastidores, participando da formulação das estratégias políticas e eleitorais do movimento e das campanhas de aliados que concorreram por diferentes partidos.

Sua trajetória também passou pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, onde estudou, mas não concluiu o curso. O local foi escolhido para o primeiro ato de sua campanha presidencial, realizado em agosto de 2026. Diferentemente de adversários como Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, Renan chega à corrida presidencial sem experiência anterior em cargos eletivos ou na administração pública. No lançamento da campanha, concentrou seu discurso em segurança pública e no combate ao crime organizado, adotando uma retórica de forte repressão à criminalidade.

Depois de anos apoiando candidatos filiados a outras legendas, o grupo ligado ao MBL decidiu criar seu próprio partido. O Missão foi registrado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2025 e passou a reunir algumas das principais lideranças associadas ao movimento. Em 2026, a legenda oficializou Renan como seu candidato à Presidência, levando uma de suas principais figuras dos bastidores da articulação política para a disputa direta por um cargo eletivo.

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Politicamente, Renan procura ocupar um espaço próprio na direita brasileira. É crítico tanto do governo Lula quanto do bolsonarismo e apresenta sua candidatura como alternativa à polarização entre os dois grupos. Sua plataforma combina propostas liberais na economia com posições mais rígidas na área de segurança pública. Entre as bandeiras defendidas pela campanha estão ajuste fiscal, reforma do Estado, mudanças no funcionalismo público, investimentos em infraestrutura e endurecimento das políticas de combate ao crime organizado.

O estilo de confronto ficou evidente no primeiro debate presidencial da campanha, promovido pela Band em 23 de agosto. Com as ausências de Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, Renan dividiu o palco com Ronaldo Caiado e Augusto Cury e utilizou parte significativa de suas intervenções para atacar os candidatos ausentes. Fez acusações contra Lula e Flávio e recorreu a expressões ofensivas contra adversários e outras figuras políticas, incluindo a primeira-dama Janja da Silva e a deputada Erika Hilton. A postura reforçou o perfil combativo de sua campanha, mas também provocou críticas pelo teor dos ataques e pelo uso de ofensas pessoais.

A participação no debate também representou uma oportunidade para Renan alcançar um público além das redes sociais, onde o MBL construiu parte importante de sua influência política. Antes do encontro, integrantes da campanha afirmavam que a intenção era priorizar propostas e evitar uma estratégia baseada apenas em controvérsias. Na prática, porém, Renan combinou a apresentação de suas bandeiras, sobretudo na segurança pública, com uma estratégia de confronto direto e de forte repercussão nas redes.

Renan chega, assim, à eleição de 2026 tentando transformar a notoriedade acumulada pelo MBL, especialmente entre eleitores mais jovens e usuários de redes sociais, em uma candidatura nacional competitiva. Seu principal desafio é ampliar o grau de conhecimento entre o eleitorado e conquistar espaço em uma disputa liderada por Lula e Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que seu estilo de comunicação mais agressivo passa a ser um elemento central na avaliação de sua candidatura.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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