Eleições 2026| Augusto Cury quer levar a terceira via ao segundo turno
Principais pontos
- Psiquiatra e escritor de sucesso internacional, Augusto Cury disputa pelo Avante seu primeiro cargo eletivo em 2026.
- Cury defende semipresidencialismo, responsabilidade fiscal e políticas voltadas à educação, empreendedorismo e saúde mental.
- Com discurso de centro e contrário à polarização, tenta se consolidar como a terceira via na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Augusto Jorge Cury, de 67 anos, é médico psiquiatra, escritor e candidato do Avante à Presidência da República nas eleições de 2026. Nascido em 2 de outubro de 1958, em Colina, no interior de São Paulo, formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e fez pós-graduação na PUC-SP. Conhecido principalmente por sua atuação como escritor e conferencista, disputa neste ano pela primeira vez um cargo eletivo.
Antes de ingressar na política eleitoral, Cury construiu uma carreira de alcance internacional no mercado editorial. Publicou mais de 70 livros, traduzidos em dezenas de países, e suas obras venderam mais de 25 milhões de exemplares somente no Brasil, segundo dados divulgados pela imprensa. Entre seus títulos mais conhecidos está O Vendedor de Sonhos, posteriormente adaptado para o cinema. Também desenvolveu a chamada Teoria da Inteligência Multifocal e fundou uma plataforma voltada à gestão das emoções. Algumas de suas formulações sobre o funcionamento da mente, no entanto, são questionadas por especialistas e não são reconhecidas como diagnósticos pela classificação internacional de doenças.
Sua entrada na disputa presidencial ocorreu pelo Avante, partido que oficializou sua candidatura em convenção realizada em agosto, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Cury tem como candidato a vice o ex-deputado federal Júlio Delgado, também do Avante. Antes da definição da chapa, chegou a discutir uma composição política com Romeu Zema, do Novo, mas as negociações não avançaram.
Cury procura ocupar uma posição de centro e apresenta como uma das principais marcas de sua candidatura o combate à polarização política. Seu discurso combina a defesa da economia de mercado e do empreendedorismo com políticas sociais e propostas relacionadas à educação e à saúde mental. Na área educacional, defende maior atenção a estudantes neurodivergentes, ampliação do ensino técnico e mudanças no modelo de formação dos jovens. Também propõe programas de incentivo ao empreendedorismo dentro das escolas.
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Entre suas propostas de maior alcance institucional está a adoção do semipresidencialismo, modelo no qual o presidente manteria atribuições estratégicas enquanto um primeiro-ministro assumiria parte da administração cotidiana do governo. Cury também propõe alterações no Supremo Tribunal Federal, como mandatos de oito anos para ministros e mudanças no processo de escolha dos integrantes da Corte. Na economia, seu programa prevê redução do déficit público e controle dos gastos, ao mesmo tempo em que procura associar crescimento econômico a políticas de proteção social.
A saúde mental ocupa espaço particular em sua plataforma, refletindo sua trajetória profissional e editorial. Cury defende políticas de prevenção de transtornos emocionais e maior atenção ao tema nas escolas. Ao mesmo tempo, parte das ideias que popularizou em seus livros, como a chamada “síndrome do pensamento acelerado”, não é reconhecida como diagnóstico pela comunidade científica nem consta da Classificação Internacional de Doenças. Especialistas ouvidos pela imprensa também questionam a fundamentação científica da Teoria da Inteligência Multifocal desenvolvida pelo escritor. Cury defende a validade e a aplicação prática de seu método.
A candidatura também chama atenção pelo patrimônio declarado à Justiça Eleitoral. Cury informou ao TSE possuir cerca de R$ 242 milhões em bens, incluindo imóveis, investimentos e participações societárias, o maior patrimônio declarado entre os principais candidatos à Presidência em 2026.
Para Cury, a eleição é uma tentativa de levar para a política a projeção acumulada ao longo de décadas como escritor e palestrante. Seu principal desafio é ampliar sua presença eleitoral em uma disputa até agora concentrada em Lula e Flávio Bolsonaro. Com discurso conciliador e antipolarização tenta se firmar como uma espécie de terceira via rumo ao segundo turno.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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