Os fatores que explicam Flávio à frente de Lula no 2º turno pela primeira vez na campanha

Principais pontos

  • Flávio (42%) ultrapassa Lula (40%) pela primeira vez em simulação de 2º turno, dentro da margem de erro.
  • Senador abriu vantagem de 16 pontos no Sudeste
  • Avanço também erode a base de Lula entre mulheres, idosos, católicos e independentes
Flávio Bolsonaro em evento de campanha no Amazonas
Flávio Bolsonaro em evento de campanha no Amazonas
Source: Vittor Sales

Flávio Bolsonaro (PL) aparece pela primeira vez numericamente à frente de Lula (PT) em uma simulação de segundo turno desde o início da campanha. A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 14, mostra o senador com 42% das intenções de voto, contra 40% do presidente, vantagem de dois pontos dentro da margem de erro, que também é de dois pontos percentuais.

A aproximação entre os dois acontece em um momento em que a vantagem do presidente encolhe em diferentes cenários de segundo turno, nos quais Lula segue à frente de todos os adversários testados pela Quaest, mas com margens menores do que registrava nas rodadas anteriores -- com exceção de Romeu Zema, que mantém distância maior.

Em paralelo, perde força a candidatura de Augusto Cury (Avante), que chegou a 10% no primeiro turno e recuou nas três últimas rodadas da pesquisa até os atuais 7%.

Para Felipe Nunes, CEO da Quaest, um dos sinais mais relevantes do levantamento está no desempenho de Flávio entre as mulheres, grupo que historicamente ofereceu maior resistência ao bolsonarismo.

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"Flávio tem conseguido um desempenho surpreendentemente alto entre as mulheres, que foram o principal campo de rejeição a Bolsonaro depois da pandemia e da política de facilitação do porte de armas do governo passado", afirma.

A pesquisa também mostra uma mudança na percepção entre os eleitores de direita: a parcela desse grupo que acredita que Flávio vencerá a eleição passou de 52% para quase 70%.

Ao mesmo tempo, o senador parece ter chegado perto do seu teto atual de crescimento no segundo turno, já que tem 42% das intenções de voto contra Lula mas 43% dizem que poderiam votar nele, enquanto o presidente tem 40% e chega a 45% quando somados os eleitores que afirmam que poderiam votar no petista.

Neste texto, o GSW Brasil explica os três principais movimentos que levaram Flávio Bolsonaro a ultrapassar numericamente Lula pela primeira vez na campanha.

O avanço no Sudeste

No Sudeste, região que concentra 41,8% do eleitorado brasileiro e que, em 2022, foi favorável a Jair Bolsonaro no segundo turno -- o então presidente venceu ali por 54,27% a 45,73%, vantagem de mais de oito pontos que não impediu a vitória nacional de Lula, sustentada pelo desempenho no Nordeste --, Flávio passou de 43% para 47% em uma semana na simulação de segundo turno, enquanto Lula recuou de 34% para 31%.

A distância regional entre os dois chega agora a 16 pontos, acima da margem que Bolsonaro havia construído na região três anos atrás.

As duas variações semanais estão dentro da margem de erro de três pontos percentuais do recorte regional, mas a região passou a receber atenção proporcional ao seu peso na campanha de Flávio.

No 7 de Setembro, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vinha mantendo distância do presidenciável, subiu ao palanque do candidato, e no fim de semana Flávio percorreu municípios do interior do Rio de Janeiro, seu principal reduto político.

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Como o Sudeste reúne mais de quatro em cada dez eleitores do país, um recuo de Lula ali tem efeito desproporcional sobre o cenário nacional.

Erosão entre mulheres, idosos e católicos

A aproximação também aparece em segmentos nos quais Lula continua à frente. Entre as mulheres, a vantagem do presidente caiu de seis para três pontos percentuais em uma semana; entre os eleitores com mais de 60 anos, Lula passou de 48% para 45% enquanto Flávio foi de 37% para 39%; e entre os católicos, a vantagem do petista caiu de 11 para oito pontos.

O candidato do PL também avançou entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, de 29% para 32%, embora Lula permaneça com 51% nesse grupo.

Em nenhum desses recortes há inversão de liderança -- Lula segue à frente em todos eles -- , mas a erosão é notável justamente entre as mulheres, eleitorado que se tornou, a partir de 2018, um dos principais indicadores da resistência ao bolsonarismo, sustentada por temas como a política armamentista do governo Bolsonaro e a gestão da pandemia.

A campanha de Flávio passou a investir de forma mais direta nesse público, com a participação de sua mulher, Fernanda Bolsonaro, em atividades eleitorais e o reforço da imagem do candidato como "pai de menina".

Voto independente

O terceiro fator diz respeito aos eleitores independentes, que não se identificam nem com a esquerda ou o lulismo nem com a direita ou o bolsonarismo.

Nesse grupo, Flávio agora tem dez pontos de vantagem sobre Lula no segundo turno, um dado que ganha relevância porque a última eleição presidencial foi decidida por margem apertada: em 2022, Lula venceu por apenas 1,8 ponto percentual, a menor diferença da história das eleições presidenciais.

O espaço entre os independentes havia sido ocupado, nas últimas semanas, em grande parte pela candidatura de Augusto Cury, e voltou a se abrir com a queda do candidato do Avante de 10% para 8% e depois 7% no primeiro turno.

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A vantagem de Flávio nesse segmento sugere que a aproximação no segundo turno não decorre apenas da transferência natural do eleitorado bolsonarista, mas de um avanço sobre um público menos identificado com os dois polos e que, à luz do resultado apertado de 2022, pode voltar a ser decisivo.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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