Trump dá cessar-fogo com o Irã por encerrado e projeta novos ataques no Golfo

Principais pontos

  • O presidente dos Estados Unidos declara "acabado" cessar-fogo com o Irã após troca de ataques no Estreito de Ormuz.
  • EUA atingem mais de 80 alvos iranianos; Irã revida com drones e mísseis no Bahrein e Kuwait.
  • Petróleo dispara e bolsas caem na esteira do ataque.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Source: White House/Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 8, que considera encerrado o cessar-fogo com o Irã, assinado há três semanas, e disse que novos ataques americanos são prováveis ainda hoje à noite.

"Nós os atingimos com força na noite passada e muito provavelmente os atingiremos novamente com força hoje à noite", disse, durante a cúpula da Otan, na Turquia.

A declaração ocorre após uma escalada no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. O Irã atacou três navios-tanque comerciais na região, e foram contra-atacados pelos Estados Unidos com ataques aéreos contra mais de 80 alvos iranianos. Em nova resposta, Teerã utilizou drones e mísseis contra bases americanas no Bahrein e no Kuwait.

Trump classificou o cessar-fogo como "acabado" e disse que, para ele, seguir negociando com o governo iraniano "é perda de tempo". O republicano afirmou também que não quer mais lidar com os líderes do país.

"Eles são escória. São pessoas doentes. São lideradas por pessoas doentes", declarou ele a repórteres em Ancara.

Ao lado de Zelensky, Trump chegou a cometer uma gafe ao se confundir e atribuir o ataque com mísseis à "República Islâmica do Japão".

Apesar do tom, o americano indicou que os negociadores das duas partes podem continuar as conversas “se quiserem”.

A nova escalada do conflito ocorre enquanto o Irã ainda vive o luto por Ali Khamenei, morto no ataque de fevereiro. O cortejo fúnebre do aiatolá segue por Teerã desde sábado, 4, e o sepultamento está marcado para esta quinta-feira, 9, em Mashhad.

O vai e vem dos acordos

O conflito entre Estados Unidos e Irã começou em fevereiro de 2026, com ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra instalações nucleares e militares do Irã. O país do Oriente Médio respondeu atacando bases americanas na região e acionando aliados.

Em abril, as partes chegaram a uma primeira trégua, quebrada e renegociada por diversas vezes. Em 17 de junho, Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram remotamente o Memorando de Islamabad, documento de 14 pontos mediado pelo Paquistão. O texto previa a reabertura do Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio naval americano a portos iranianos e um prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo.

Na semana passada, o Irã acusou os Estados Unidos de manter sanções e violar o espírito do memorando. Nos últimos dias, três navios-tanque foram atingidos no Estreito de Ormuz. Washington atribuiu o ataque a Teerã e classificou o episódio como uma violação do acordo.

Na terça-feira, 7, forças americanas atingiram mais de 80 alvos iranianos, incluindo embarcações da Guarda Revolucionária e instalações na costa. Horas depois, o Irã respondeu com drones e mísseis contra bases americanas no Bahrein e no Kuwait. Nesta quarta, durante a cúpula da Otan em Ancara, Trump declarou o cessar-fogo encerrado.

O memorando nunca teve adesão total das duas partes. Desde a assinatura, Estados Unidos e Irã trocaram acusações de descumprimento.

No centro do impasse estão interesses opostos: os Estados Unidos buscam controle sobre o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico e a redução da capacidade militar iraniana, enquanto o Irã usa o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão contra sanções e ataques externos.

Reação e mercado

A Guarda Revolucionária do Irã declarou que pretende revidar "de forma mais dura" nos próximos dias.

O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz praticamente parou nesta quarta. Apenas quatro navios cruzaram a rota até o fim da manhã, ante uma média diária de 32 desde o início do cessar-fogo, em 17 de junho, segundo dados da consultoria Kpler enviados à CNN.

As bolsas americanas caíram após a declaração de Trump. O índice Dow Jones recuou cerca de 1% na abertura, e o Nasdaq, 0,4%. O petróleo subiu: o barril do tipo Brent avançou mais de 5%, para US$ 78, maior valor em duas semanas. O WTI, referência americana, teve alta semelhante, a US$ 73,50.

Apesar dos novos ataques e das ameaças dos dois lados, não há, por enquanto, fim formal de negociações.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.