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Um em cada quatro brasileiros não sabe que é possível prevenir o câncer
Principais pontos
- Relatório “Mais Dados Mais Saúde” mostra que 27% dos brasileiros ignoram que a doença pode ser evitada com mudança de hábitos; o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028.
- Tabagismo, herança genética e excesso de sol são os fatores de risco mais conhecidos, enquanto obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e consumo de álcool ainda são pouco associados ao desenvolvimento de tumores malignos.
- Jovens até 24 anos e pessoas de menor renda apresentam maior desconhecimento sobre prevenção, reforçando a necessidade de ampliar campanhas de informação e incentivo ao diagnóstico precoce.

O câncer é uma das doenças mais estudadas pela medicina e uma das mais abordadas na mídia. Ainda assim, um em cada quatro brasileiros ignora que existe prevenção para certos tipos de tumores malignos. O dado faz parte do relatório “Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer”, recentemente divulgado.
Realizado pelas entidades Vital Strategies e Umane, focadas em saúde pública, com parceria técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o estudo contempla entrevistas com 6.566 brasileiros acima de 18 anos, entre setembro e outubro de 2025, por meio de um questionário digital. A amostra foi ponderada para representar a população adulta, utilizando dados do Censo 2022 do IBGE e da Pesquisa Nacional de Saúde.
Os resultados revelam que 99,1% da população conhece ou já ouviu falar da doença. Entretanto, apenas 27% não sabem que o câncer pode ser prevenido. Essa lacuna é preocupante porque até 40% dos casos poderiam ser evitados por meio de mudanças no estilo de vida e na redução da exposição a fatores de risco.
Entre os perigos que podem levar ao aparecimento desse mal, o papel do tabagismo é amplamente conhecido, com 90,5% das respostas. Em seguida, estão herança genética (89,4%) e exposição solar excessiva (88,3%).
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No entanto, fatores relacionados ao estilo de vida apresentam menor reconhecimento, como o excesso de peso (54,1%), o consumo de bebidas adoçadas (55,3%), a baixa ingestão de frutas e verduras (53,3%) e uma dieta baseada em carne vermelha (27,5%).
A crença de que a doença depende apenas de herança genética e a falta de informações sobre prevenção podem desestimular a adoção de hábitos saudáveis e levar à redução da adesão a programas de rastreamento.
Há mais mitos influenciando a percepção dos brasileiros quanto à doença. De acordo com o estudo, 61,3% acreditam, de forma equivocada, que o uso de suplementos de vitaminas e minerais reduz o risco de câncer. Por outro lado, quatro em cada dez pessoas não sabem que o aleitamento materno é fator de proteção para o câncer de mama, um efeito benéfico que se amplia quanto mais tempo a mãe amamentar o filho.
Desconhecimento entre os mais jovens
Outro ponto destacado pelo relatório é que jovens e pessoas com menor renda apresentam menor conhecimento sobre fatores de risco e, ao mesmo tempo, maior exposição a comportamentos prejudiciais à saúde. Na faixa entre 18 e 24 anos, apenas 39,9% sabem que o sedentarismo é um fator de risco. No grupo entre 25 e 59 anos, esse percentual é de 50,7%. O percentual sobe para 54,8% entre os maiores de 60 anos.
Na análise pela renda, apenas 45,5% dos brasileiros que recebem até R$ 2 mil por mês associam o sedentarismo ao risco de câncer, índice que sobe para 59,6% entre aqueles com rendimento superior a R$ 10 mil. No caso de bebidas alcoólicas, 68,2% da faixa de menor renda reconhecem o consumo como fator de risco, contra 82,7% entre os mais ricos.
Vale ressaltar que o álcool é um importante fator de risco. Mas cerca de três em cada dez brasileiros reconhecem essa associação.
O estudo enfatiza que muitos cânceres podem ser prevenidos por meio de hábitos saudáveis, como: manter peso adequado; praticar atividade física regularmente; consumir frutas, legumes e verduras; reduzir alimentos ultraprocessados; diminuir o consumo de carnes processadas e carne vermelha; evitar bebidas alcoólicas; não fumar; e prevenir a infecção pelo HPV (a vacinação contra o vírus, disponível no SUS, é uma medida altamente eficaz para prevenção do câncer de colo de útero).
O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, de acordo com estimativas do Inca. Trata-se de uma das principais causas de adoecimento e morte no país, aproximando-se dos males cardiovasculares. Um dos desafios da medicina é ampliar o acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce.
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Entre os homens, os cinco tipos de câncer mais incidentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral, respectivamente. Na população feminina, predominam os tumores de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.
Segundo os autores do relatório, o fortalecimento das ações de vigilância, prevenção e controle do câncer depende, em grande medida, do conhecimento da população sobre a doença, seus fatores de risco e as possibilidades de prevenção.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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